E por falar em estrelas...

quinta-feira, março 29, 2007

Quem eu sou...

"Se quiser tentar descobrir quem eu sou
Passe lentamente sua lente pela luz dos meus olhos
Que é de frente que você vai me entender
Mas se for tentar resistir à tentação
Desviar do meu raio de visão
Feche os olhos e no sonho vou estar
E se ao fim tentar confirmar a impressão
Não é fácil dizer o que está pra nascer
E o que está pra morrer
Ao se entregar a um olhar"

(Maria Rita)

domingo, março 25, 2007

Bom dia...

(Zizi Possi)

Um dia quero mudar tudo, no outro eu morro de rir
Um dia estou cheia de vida, no outro não sei aonde ir
Um dia escapo por pouco, no outro não sei se vou me livrar
Um dia me esqueço de tudo, no outro não posso deixar de lembrar
Um dia você me maltrata, no outro me faz muito bem
Um dia eu digo a verdade, no outro não engano ninguém
Um dia parece que tudo tem tudo para ser o que eu sempre sonhei
No outro dá tudo errado, e acabo perdendo o que já ganhei
Logo de manhã, bom dia...
Um dia eu sou diferente, no outro sou bem comportada
Um dia eu durmo até tarde, no outro eu acordo cansada
Um dia te beijo gostoso, no outro nem vem, que eu quero respirar
Um dia quero mudar tudo no mundo, no outro eu vou devagar
Um dia penso no futuro, no outro eu deixo prá lá
Um dia eu acho a saída, no outro eu fico no ar
Um dia na vida da gente
Um dia sem nada demais
Só sei que eu acordo e gosto da vida...
Os dias não são nunca iguais!

segunda-feira, março 12, 2007

Tem alguém aí?

...
(Miguel Falabella)
...


"Já faz algum tempo que comecei a guardar palavras, sendo precavido para o inverno de significados que a vida nos traz mais cedo ou mais tarde. Descobri que essa estratégia é muito mais usada do que poder-se-ia supor, porque há uma hora, na vida de todos nós, em que começamos a economizar as palavras. Não sei como é que acontece, não sei que engrenagem começa a mover-se lentamente lá por dentro, mas a verdade é que todos nós, num dado momento, começamos a guardar nossas palavras, como se brilhasse a consciência de que o amanhã tem finitude. E, talvez – acho que é essa a mensagem que nos é soprada nos ouvidos – não restem mais tantas palavras de amor assim. Ou de afeto. Ou de crença e fé, que é o mistério que nos mantém em frente, acreditando que o melhor está por vir e que a felicidade, se é que existe essa abstração, está logo ali na frente. O processo de economia verbal traz também, e creio que esse é um sentimento comum a todos, a certeza de que o tempo resolveu correr mais depressa, como o coelho de Alice, desaparecendo na toca ao pé da árvore, gritando: É tarde! É tarde! E, invariavelmente, como a protagonista do conto, nós também terminamos por nos aventurar tocas adentro, em busca do país das maravilhas. Corremos atrás de um tempo que parece zombar de nós, tamanho seu fôlego e rapidez, mas vamos em frente, impulsionados pelos restos de ilusão que ainda se agarram, com medo e com fome, aos nossos corpos cansados. Sempre em frente, ao sabor da enxurrada."