E por falar em estrelas...

domingo, outubro 29, 2006

Sobre nós dois e o resto do mundo...

"Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre"

(Chico Buarque)

sexta-feira, outubro 27, 2006

MELHOR LUGAR

(Jorge Vercilo)

Se fosse por mim, eu ficava... Mas vê como tudo lá fora mudou.
O tempo passou feito um louco, quebrando as vidraças, e a gente ficou aqui, sem ter nem para onde ir.
Por medo ou preguiça, aqui. Ilhados por nós. Sequer rastreados por nenhum radar.
Aqui parecia ser o melhor lugar...
Quem disse que a gente precisa perder um ao outro pra se encontrar?
Se nada nos prende ao passado, não é o futuro que vai separar.
Enfim... Encosta seu barco em mim, que o sol já se pôs.
A sós. O mundo termina na fina fronteira dos nossos lençóis.
Em nós, espalham-se os laços, desfazem-se os nós.
Sonhamos paisagens, compramos passagem, e nunca voamos para lá.
Enfim... Passeia tua boca em mim, até me calar.
Aqui ainda parece o melhor lugar!




quinta-feira, outubro 26, 2006

Acreditar sem medo...

(Paulo Coelho)

O Guerreiro da Luz acredita. Assim como as crianças acreditam.
Porque crê em milagres, os milagres começam a acontecer.
Porque tem certeza que seu pensamento pode mudar sua vida, sua vida começa a mudar.
Porque está certo que irá encontrar o amor, este amor aparece.
De vez em quando, se decepciona.
Às vezes, se machuca.
E então escuta os comentários: "como é ingênuo!".
Mas o guerreiro sabe que vale o preço.
Para cada derrota, tem duas conquistas a seu favor.
Todos os que acreditam sabem disso.

domingo, outubro 22, 2006

Seja lá quem te mandou...

"... Meu amor te recebeu! E hoje o céu de tua estrela, menino, SOU EU!"

segunda-feira, outubro 16, 2006

Para uma menina com uma flor...

(Vinícius de Moraes)

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim, no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você, quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.
E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido.
E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata.
E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.
E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê.
E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você - se por acaso não morrer também - fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Dias assim...

(Nanda Lins)

O dia nasceu resgatando seu cheiro e seu riso.
Na esquina onde o amor acontece, tropecei em você.
Mergulhada em seus sonhos, me vi projetando, em segredo
Um futuro regado de estrelas a te oferecer.

O dia nasceu e - eu me lembro - deitada em seu colo
Nosso tempo arrancava e o amor parecia freiar
Com a força da eternidade guiando seus passos
E a alegria de tempos passados querendo ficar.

O dia nasceu e o silêncio virou poesia
Ao saber que seus olhos brilhavam nessa direção
E meus versos tão frágeis quiseram contar, em estrofes
A magia de sua presença em meu coração.

O dia nasceu - quem diria - longe dos seus abraços
Mas em mim há certezas que calam a minha aflição.
Se tão perto é tão raro o amor que refaz fortes laços,
Tão distante é tão perto, e tão certa é a nossa união.

sábado, outubro 07, 2006

Não vale a pena sem vocês!