E por falar em estrelas...

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Porque o amor se renova em todas as suas formas...


"Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas..."
(Nando Reis)

quarta-feira, abril 14, 2010

Sutilmente


(Samuel Rosa / Nando Reis)


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Do nosso amor nasceu a flor...







terça-feira, abril 13, 2010

Constatação


Na tua ausência eu percebi que nunca estás ausente.

quinta-feira, julho 17, 2008

Perfil

"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta.
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa.Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar...
Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."

(Maria de Queiroz)

quarta-feira, junho 27, 2007

A dança dos sete véus

"(...) Pensei nesses últimos dias que cada um de nós acaba se prendendo na própria teia de lembranças, como se, em dado momento da vida, escolhêssemos um quarto e ali buscássemos refúgio. Escolhemos quase sempre o quarto onde anda guardada a memória da época em que nasceram nossos primeiros sonhos. É batata! Depois, fechamos a porta, porque é sabido que a alma escolhe a própria sociedade e depois fecha a porta. Algumas fecham-se com estrondo, outras em silêncio, mas quase todas acabam sendo fechadas antes do tempo, eu venho pensando nisso e nas causas que nos fazem terminar aprisionados na nostalgia de tempos idos, quando ainda nos era permitido sonhar.
Não temos tido muitos motivos para sonhar, admitamos. A chama do protesto, do amor próprio, do ´respeito é bom e eu gosto`, congelou-se numa imagem em preto e branco, de há muito tempo. E acho que a grande maioria de nós fica rodando em círculos, como um cão a caçar o próprio rabo, produzindo perguntas para as quais não conhecemos as respostas.
Por exemplo: em que momento resolvemos cruzar os braços? Em que momento desistimos de nos indignar, em que momento desistimos de aprender, de caminhar, de lutar, de buscar, de ir à superfície para sorver o ar? Em que momento resolvemos assistir calados ao teatro infame que a elite política deste país encena todos os dias? Em que momento permitimos que o rancor fosse ganhando espaço, impedindo o avanço, ceifando todo e qualquer lampejo de civilização?
(...) Nos quartos em que andamos trancados, além das especiarias, há o vestígio das civilizações que sonhamos. O traçado e a arqueologia. Cabe a nós resgatá-las. Cabe a nós pô-las em prática, antes que as portas se fechem e abafem o clamor daquilo que entendemos por vida."

(Miguel Falabella)

segunda-feira, maio 28, 2007

Há um mundo em silêncio, por dentro, que pode esperar...

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terça-feira, maio 15, 2007

As tartarugas não esquecem

(Miguel Falabella)

Há dias em que uma bebida a mais – a segunda, ou a terceira – embaralha as idéias e os assuntos que andavam arrumados em pilhas, subitamente, confundem-se e os anos e fatos resolvem misturar-se na contradança que é viver. Acontece com todos nós, às vezes, mesmo, sem sequer estarmos levemente inebriados. O tal riacho da consciência mostra-se revolto, certos dias, e suas águas correm sem lógica ou curso determinado.
Ontem, por exemplo, sentei-me para escrever a crônica e tinha na cabeça a imagem das bananeiras que ficavam no fundo do quintal da infância e que bordavam o muro do vizinho, onde cresciam alguns pés de fruta-pão. Ao lado, um vasto bambuzal, para onde os gatos corriam quando se viam ameaçados e que nós ansiávamos explorar, mas que era habitado por cobras terríveis, segundo minha avó.
Sentei-me para escrever sobre as tais bananeiras, porque creio que todos nós guardamos esse tipo de imagem e a carregamos pela vida afora, como um talismã tatuado na memória. São esses fragmentos de vida a nossa bússola particular, que indica o ponto de partida na vastidão dos oceanos. É para lá que obrigatoriamente temos de voltar na época da desova, assim como fazem as gigantescas tartarugas marinhas, que guardam para todo sempre o aroma da praia onde nasceram. Esqueça-se dela e todo o resto perde o sentido, eu pensava, quando lembrei que havia uma simpatia que as moças faziam no caule da bananeira, se não me falha a memória, durante as festas juninas. Já não lembro mais exatamente o que era, creio que enfiavam uma faca no caule, ou algo assim, na esperança de ver surgir a inicial do homem que as amaria. Se não for isso, algum leitor gentilmente me esclarecerá, eu tenho certeza.
Enfim, a tal simpatia correu como um busca-pé pelo quintal e me trouxe a imagem de meu tio Edmundo, de sobrancelhas imensas e cerradas, distribuindo fogos entre a gurizada. Mas isso era em São Cristóvão e as bananeiras ficavam em outro subúrbio.
A partir daí, o riacho resolveu ter vida própria e não consegui mais nenhum tipo de ordenação, muito pelo contrário, suas águas cristalinas incendiaram-se e fiquei sentado, qual um Nero indisposto, a ver as chamas lamberem toda e qualquer lembrança.
Temos vivido tempos difíceis, todos nós. Andamos assustados, acabrunhados, entorpecidos. Estamos pouco a pouco nos esquecendo da praia onde nascemos e o resultado não pode ser bom, pois foi lá que aprendemos as noções básicas de civilidade, respeito e amor ao próximo. O domingo é dedicado, portanto, à nossa porção tartaruga que volta ao ponto de origem, não importa a violência do oceano. Somos capazes de resgatar nossos princípios, enfim. Somos capazes de mudar o que quer que seja. Comecemos, então, por dentro.

quarta-feira, abril 18, 2007

Ciclo

(Jorge Vercilo)




Eu não sei o que me domina
E, mesmo assim, não penso em me livrar
Num fascínio de alma gêmea
Você em mim constrói o seu lugar

O amor se fez me levando além, onde ninguém mais
Criou raiz, ancorou de vez, fez de mim seu cais
Lendo a rota das estrelas

Nesse abraço se fez um ciclo
Que não tem fim e é todo o meu viver
É como alcançar o infinito
Reflete em mim e volta pra você

O amor se fez me levando além, onde ninguém mais
Criou raiz, ancorou de vez, fez de mim seu cais
Lendo a rota das estrelas

O amor surgiu como um em mil, por você eu vim
E assim será a me conduzir, sem mandar em mim
Como o vento e o barco à vela, que nos leva sem fim

A coisa mais linda que existe

(Torquato Neto)

Coisa mais linda nesse mundo
É sair por um segundo
E te encontrar por aí
E ficar sem compromisso
Pra fazer festa ou comício
Com você perto de mim
Na cidade em que me perco
Na praça em que me resolvo
Na noite da noite escura
É lindo ter junto ao corpo
Ternura de um corpo manso
Na noite da noite escura
A coisa mais linda que existe
É ter você perto de mim
O apartamento, o jornal
O pensamento, a navalha
A sorte que o vento espalha
Essa alegria, o perigo
Eu quero tudo contigo
Com você perto de mim

sábado, abril 07, 2007

Down em mim

(Cazuza)

Eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, vou te gritar, te rebocar do bar
E as paredes do meu quarto vão assistir comigo à versão nova de uma velha história
E quando o sol vier tocar a minha cara, com certeza você já foi embora

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Outra vez vou me esquecer, pois nessas horas pega mal sofrer
Eu não sei o que meu corpo abriga nessas noites quentes de verão
E nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão

Eu ando tão down

Eu ando tão down

Outra vez vou te cantar, te gritar, te rebocar do bar
Da privada, eu vou dar com a minha cara de panaca pintada no espelho
E me lembrar sorrindo que o banheiro é a igreja de todos os bêbados

Down, eu ando tão down

Down, down, down

Down, down, down

quinta-feira, março 29, 2007

Quem eu sou...

"Se quiser tentar descobrir quem eu sou
Passe lentamente sua lente pela luz dos meus olhos
Que é de frente que você vai me entender
Mas se for tentar resistir à tentação
Desviar do meu raio de visão
Feche os olhos e no sonho vou estar
E se ao fim tentar confirmar a impressão
Não é fácil dizer o que está pra nascer
E o que está pra morrer
Ao se entregar a um olhar"

(Maria Rita)

domingo, março 25, 2007

Bom dia...

(Zizi Possi)

Um dia quero mudar tudo, no outro eu morro de rir
Um dia estou cheia de vida, no outro não sei aonde ir
Um dia escapo por pouco, no outro não sei se vou me livrar
Um dia me esqueço de tudo, no outro não posso deixar de lembrar
Um dia você me maltrata, no outro me faz muito bem
Um dia eu digo a verdade, no outro não engano ninguém
Um dia parece que tudo tem tudo para ser o que eu sempre sonhei
No outro dá tudo errado, e acabo perdendo o que já ganhei
Logo de manhã, bom dia...
Um dia eu sou diferente, no outro sou bem comportada
Um dia eu durmo até tarde, no outro eu acordo cansada
Um dia te beijo gostoso, no outro nem vem, que eu quero respirar
Um dia quero mudar tudo no mundo, no outro eu vou devagar
Um dia penso no futuro, no outro eu deixo prá lá
Um dia eu acho a saída, no outro eu fico no ar
Um dia na vida da gente
Um dia sem nada demais
Só sei que eu acordo e gosto da vida...
Os dias não são nunca iguais!

segunda-feira, março 12, 2007

Tem alguém aí?

...
(Miguel Falabella)
...


"Já faz algum tempo que comecei a guardar palavras, sendo precavido para o inverno de significados que a vida nos traz mais cedo ou mais tarde. Descobri que essa estratégia é muito mais usada do que poder-se-ia supor, porque há uma hora, na vida de todos nós, em que começamos a economizar as palavras. Não sei como é que acontece, não sei que engrenagem começa a mover-se lentamente lá por dentro, mas a verdade é que todos nós, num dado momento, começamos a guardar nossas palavras, como se brilhasse a consciência de que o amanhã tem finitude. E, talvez – acho que é essa a mensagem que nos é soprada nos ouvidos – não restem mais tantas palavras de amor assim. Ou de afeto. Ou de crença e fé, que é o mistério que nos mantém em frente, acreditando que o melhor está por vir e que a felicidade, se é que existe essa abstração, está logo ali na frente. O processo de economia verbal traz também, e creio que esse é um sentimento comum a todos, a certeza de que o tempo resolveu correr mais depressa, como o coelho de Alice, desaparecendo na toca ao pé da árvore, gritando: É tarde! É tarde! E, invariavelmente, como a protagonista do conto, nós também terminamos por nos aventurar tocas adentro, em busca do país das maravilhas. Corremos atrás de um tempo que parece zombar de nós, tamanho seu fôlego e rapidez, mas vamos em frente, impulsionados pelos restos de ilusão que ainda se agarram, com medo e com fome, aos nossos corpos cansados. Sempre em frente, ao sabor da enxurrada."


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Tudo o que cala fala mais alto ao coração...

...










terça-feira, janeiro 23, 2007

SENTIDO CONTRÁRIO

(Isabella Taviani)

Tudo que eu queria agora
Era um beijo seu
Molhado
Como quase sempre estão os olhos meus
Deitar nos teus ombros
E dormir em paz
Será que é pedir demais?
Cadê você, amor?
Sozinha agora estou de novo
Tudo o que eu queria
Era o seu calor
Colar teu corpo junto ao meu
E detonar o cobertor
Contraditório
Sua pele quente me faz tremer
Cadê você, amor?
Por que não vem me ver?
E aí
O que é que eu faço com essa falta que você me faz?
A hora nesse quarto parece andar pra trás
Mas quando estou com você
O tempo... vôa...
O tempo vôa...

quarta-feira, janeiro 10, 2007

REcomeço

(Nanda Lins)

Eu rasgo folhas de palavras falhas
E adormeço amor em poesias
Calo meus medos, colho alegrias
E reconstruo estradas onde me perdi

Rabisco sonhos em meus pensamentos
E pra me achar esqueço meus enganos
Eu me perdôo e traço novos planos
Eu acredito no que há de vir

Respiro cores em um mundo cinza
Onde chegadas são também partidas
Vou aprendendo a ser feliz assim...

Eu amo, choro, sonho e vou embora
Guardo carinho e jogo o resto fora
Eu REcomeço quando chego ao fim...

Eu amanheço em mim
E sonho outra vez!

domingo, dezembro 03, 2006

Reinventando-me...

"(...) Ao longo da vida esbarrei com outros olhares de medusa, aqueles que petrificam e que maltratam a auto-estima, mas já não eram mais capazes de ferir, apenas arranhavam a pele, sem arrancar sangue. Não fugimos do olhar alheio, na verdade não sobrevivemos sem ele, mas é preciso filtrá-lo e entender que o juízo, assim como o universo, só conhece uma constância, que é a mudança. Os olhares mudam, vão se transformando com o correr dos anos e é isso que nos mantém vivos. Sobreviver é mudar. Felicidade, eu acredito, reside na capacidade de reinventar-se, a partir daquilo que acreditamos, com a sólida aprovação daqueles que amamos e de nossos insensatos corações."

(Miguel Falabella)

"Mundo, mundo, vasto mundo... Se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução"

"É preciso que eu esclareça certas coisas. Tenho dito que você deveria saltar profundo todo dia, largar tudo e viver a vida... Acontece que isso é apenas uma metáfora. Não estou pregando que você abandone tudo e saia correndo agora mesmo. Simplesmente porque não haverá profundidade suficiente para todos saltarem, profundos. Se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem, saltar seria banal. Se todos largassem tudo, seria o caos. E só tem uma coisa pior do que a ordem absoluta: é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos continuem como estão, tristemente atolados nesse marasmo de fazer dó, para que apenas uns poucos, pouquíssimos, abandonem tudo - e saltem profundos. Assim como eu e você..."

(Edson Marques)

sábado, dezembro 02, 2006

Amor Sem Limite

(Erasmo Carlos / Roberto Carlos)

Quando a gente ama alguém de verdade, esse amor não se esquece
O Tempo passa, tudo passa, mas no peito o amor permanece
E qualquer minuto longe é demais, a saudade atormenta
Mas qualquer minuto perto é bom demais, o amor só aumenta

Vivo por ele
Ninguém duvida
Porque ele é tudo
Na minha vida

Eu nunca imaginei que houvesse, no mundo, um amor desse jeito
Do tipo que, quando se tem, não se sabe se cabe no peito
Mas eu posso dizer que sei o que é ter um amor de verdade
E um amor assim eu sei que é pra sempre, é pra eternidade

Vivo por ele
Ninguém duvida
Porque ele é tudo
Na minha vida



Quem ama não esquece quem ama
O amor é assim...
Eu tenho esquecido de mim
Mas dele eu nunca me esqueço
Por ele esse amor infinito
O amor mais bonito
É assim nosso amor sem limite
O maior e mais forte que existe...

segunda-feira, novembro 27, 2006

SENTIMENTO NÃO IDENTIFICADO

Deixa tudo pelos cantos, seca o pranto, muda a tela.
Limpa os vidros da janela, troca os quadros, passa a peça
Que essa cena eu já conheço. Recomeço. Reencontro.
Esquece a dor do que te conto, o que te ensino, o que te assombro.
Deixa o sopro do acalanto em teu abismo, em teu barranco.
Corta o passo, vence o abraço, poda o peso, rasga o verso.
Leva a fé ao teu inverso, muda o rosto, vira o resto.
Quebra tudo que te cerca, quebra a cara, quebra o sonho
Que eu mesma reconstruo. Rouba a lua, trava o gesto.
Alivia nossa pena, aproxima, reconhece.
Sê também o que te agrada, sê quadrado, vá à luta
Que essa vida é toda tua, é toda nossa, traze a nota
Que eu te pago a poesia. Que alegria. Recomeça.
Deixa tudo pelos cantos, seca o pranto, muda a tela...

domingo, novembro 26, 2006

Por Pedro Bial...

"Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente… De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso, viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida…
Perdoe….sempre!!!”

sábado, novembro 25, 2006

MAR SONORO

...



"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."






quinta-feira, novembro 23, 2006

Retrospectivas...

...

"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecí­veis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida...
Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante".

(Chaplin)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Vazio

"(...) É a tal franqueza que nos leva ao início do parágrafo e à constatação absurda de que eu não tenho nada a dizer. Os minutos começam a correr mais depressa e eu vou entrando nos arquivos do cérebro, vasculhando gavetas, rostos, estampas, mas não há clareza, porque não há alma e todos os rostos convergem para um só e todas as estampas tornam-se uma só e todas as saudades correm para uma única pessoa, que nem sequer viu o fruto de tanto esforço. Quem foi que disse que a vida é justa? Quem foi que disse que a palavra chega na hora exata? Ela quase nunca chega. E hoje, com certeza, resolveu faltar ao serviço. (...)"

(MF)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Pé na jaca...

"... Eu aguento até os modernos e seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto...
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."

(Adriana Calcanhotto)

domingo, novembro 12, 2006

Respeitável público...

"Estamos sempre estreando, de uma forma ou de outra. Um olhar, um traje, um gesto. Um sentimento que faz uma triunfal entrada, após anos de ostracismo, uma canção que brota na alma, sem mais nem porquê, uma palavra que pousa no parágrafo, onde nunca antes pensou-se possível. A vida é plena de pequenas estréias e eu estou convencido de que a alma envelhece quando deixamos de percebê-las. Quando perdemos o entusiasmo pelo abrir dos panos, então é hora do derradeiro aplauso. Até lá, precisamos perceber esses pequenos movimentos da cortina, que, alheia à nossa vontade, abre-se para o inesperado."

(Miguel Falabella)

domingo, novembro 05, 2006

Samba da bênção

"Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão"









...





(Vinícius de Moraes)

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como luz ao coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não
Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste, não...
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

sábado, novembro 04, 2006

MUDE...

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outro ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
"Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena"

- Edson Marques -

quinta-feira, novembro 02, 2006

Para você, que me ama...

Porque eu amo você também...
















Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras


O nosso amor surgiu nas entrelinhas...

Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos


E tudo o que disfarçávamos, pelos dias, transformou-se em evidência.

E eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo...


Mas você me ensinou a deixar tudo acontecer naturalmente...

Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder, sem engano


Não é preciso dizer mais nada.

Eu preciso dizer que te amo
Tanto...


Está escrito em nosso olhar.

Até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar ao seu lado


Nesses momentos, você me fez viver eternidades.

Você me chora as dores de outro amor
Se abre e acaba comigo


E haverá amor, depois de ter você?

Nessa novela, eu não quero ser o seu amigo

Somente amigo... E já é tanto... Eu quero mais. :)

Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder, sem engano


Não é preciso dizer mais nada.

Eu preciso dizer que te amo
Tanto...

Essenciais...

..
.
















"Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei, nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá
Quando lá chegarmos, saberemos.
Por ora, só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva
E, antes da curva,
Há a estrada sem curva nenhuma."

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, novembro 01, 2006

Righ Here waiting for you...

(Bryan Adams)

Oceans apart, day after day
And I slowly go insane
I hear your voice on the line
But it doesn't stop the pain
If I see you next to never
How can we say forever?

Wherever you go, whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes or how my heart breaks
I will be right here waiting for you

I took for granted all The times
That I thought would last somehow
I hear the laughter, I taste the tears
But I can't get near you now
Oh can't you see it baby?
You've got me going crazy

Wherever you go, whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes or how my heart breaks
I will be right here waiting for you

I wonder how we can survive this romance
But in the end if I'm with you
I'll take the chance

domingo, outubro 29, 2006

Sobre nós dois e o resto do mundo...

"Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre"

(Chico Buarque)

sexta-feira, outubro 27, 2006

MELHOR LUGAR

(Jorge Vercilo)

Se fosse por mim, eu ficava... Mas vê como tudo lá fora mudou.
O tempo passou feito um louco, quebrando as vidraças, e a gente ficou aqui, sem ter nem para onde ir.
Por medo ou preguiça, aqui. Ilhados por nós. Sequer rastreados por nenhum radar.
Aqui parecia ser o melhor lugar...
Quem disse que a gente precisa perder um ao outro pra se encontrar?
Se nada nos prende ao passado, não é o futuro que vai separar.
Enfim... Encosta seu barco em mim, que o sol já se pôs.
A sós. O mundo termina na fina fronteira dos nossos lençóis.
Em nós, espalham-se os laços, desfazem-se os nós.
Sonhamos paisagens, compramos passagem, e nunca voamos para lá.
Enfim... Passeia tua boca em mim, até me calar.
Aqui ainda parece o melhor lugar!




quinta-feira, outubro 26, 2006

Acreditar sem medo...

(Paulo Coelho)

O Guerreiro da Luz acredita. Assim como as crianças acreditam.
Porque crê em milagres, os milagres começam a acontecer.
Porque tem certeza que seu pensamento pode mudar sua vida, sua vida começa a mudar.
Porque está certo que irá encontrar o amor, este amor aparece.
De vez em quando, se decepciona.
Às vezes, se machuca.
E então escuta os comentários: "como é ingênuo!".
Mas o guerreiro sabe que vale o preço.
Para cada derrota, tem duas conquistas a seu favor.
Todos os que acreditam sabem disso.

domingo, outubro 22, 2006

Seja lá quem te mandou...

"... Meu amor te recebeu! E hoje o céu de tua estrela, menino, SOU EU!"

segunda-feira, outubro 16, 2006

Para uma menina com uma flor...

(Vinícius de Moraes)

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim, no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você, quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar.
E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido.
E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata.
E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca.
E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.
E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas.
E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando.
E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê.
E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você - se por acaso não morrer também - fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Dias assim...

(Nanda Lins)

O dia nasceu resgatando seu cheiro e seu riso.
Na esquina onde o amor acontece, tropecei em você.
Mergulhada em seus sonhos, me vi projetando, em segredo
Um futuro regado de estrelas a te oferecer.

O dia nasceu e - eu me lembro - deitada em seu colo
Nosso tempo arrancava e o amor parecia freiar
Com a força da eternidade guiando seus passos
E a alegria de tempos passados querendo ficar.

O dia nasceu e o silêncio virou poesia
Ao saber que seus olhos brilhavam nessa direção
E meus versos tão frágeis quiseram contar, em estrofes
A magia de sua presença em meu coração.

O dia nasceu - quem diria - longe dos seus abraços
Mas em mim há certezas que calam a minha aflição.
Se tão perto é tão raro o amor que refaz fortes laços,
Tão distante é tão perto, e tão certa é a nossa união.

sábado, outubro 07, 2006

Não vale a pena sem vocês!