E por falar em estrelas...

segunda-feira, novembro 27, 2006

SENTIMENTO NÃO IDENTIFICADO

Deixa tudo pelos cantos, seca o pranto, muda a tela.
Limpa os vidros da janela, troca os quadros, passa a peça
Que essa cena eu já conheço. Recomeço. Reencontro.
Esquece a dor do que te conto, o que te ensino, o que te assombro.
Deixa o sopro do acalanto em teu abismo, em teu barranco.
Corta o passo, vence o abraço, poda o peso, rasga o verso.
Leva a fé ao teu inverso, muda o rosto, vira o resto.
Quebra tudo que te cerca, quebra a cara, quebra o sonho
Que eu mesma reconstruo. Rouba a lua, trava o gesto.
Alivia nossa pena, aproxima, reconhece.
Sê também o que te agrada, sê quadrado, vá à luta
Que essa vida é toda tua, é toda nossa, traze a nota
Que eu te pago a poesia. Que alegria. Recomeça.
Deixa tudo pelos cantos, seca o pranto, muda a tela...

domingo, novembro 26, 2006

Por Pedro Bial...

"Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e a perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam.
A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente… De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
Por isso, viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida…
Perdoe….sempre!!!”

sábado, novembro 25, 2006

MAR SONORO

...



"Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim."






quinta-feira, novembro 23, 2006

Retrospectivas...

...

"Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecí­veis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida...
Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é MUITO para ser insignificante".

(Chaplin)

segunda-feira, novembro 20, 2006

Vazio

"(...) É a tal franqueza que nos leva ao início do parágrafo e à constatação absurda de que eu não tenho nada a dizer. Os minutos começam a correr mais depressa e eu vou entrando nos arquivos do cérebro, vasculhando gavetas, rostos, estampas, mas não há clareza, porque não há alma e todos os rostos convergem para um só e todas as estampas tornam-se uma só e todas as saudades correm para uma única pessoa, que nem sequer viu o fruto de tanto esforço. Quem foi que disse que a vida é justa? Quem foi que disse que a palavra chega na hora exata? Ela quase nunca chega. E hoje, com certeza, resolveu faltar ao serviço. (...)"

(MF)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Pé na jaca...

"... Eu aguento até os modernos e seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas e suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto...
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."

(Adriana Calcanhotto)

domingo, novembro 12, 2006

Respeitável público...

"Estamos sempre estreando, de uma forma ou de outra. Um olhar, um traje, um gesto. Um sentimento que faz uma triunfal entrada, após anos de ostracismo, uma canção que brota na alma, sem mais nem porquê, uma palavra que pousa no parágrafo, onde nunca antes pensou-se possível. A vida é plena de pequenas estréias e eu estou convencido de que a alma envelhece quando deixamos de percebê-las. Quando perdemos o entusiasmo pelo abrir dos panos, então é hora do derradeiro aplauso. Até lá, precisamos perceber esses pequenos movimentos da cortina, que, alheia à nossa vontade, abre-se para o inesperado."

(Miguel Falabella)

domingo, novembro 05, 2006

Samba da bênção

"Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza
Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado,
Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher,
Feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor
E para ser só perdão"









...





(Vinícius de Moraes)

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como luz ao coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba, não
Fazer samba não é contar piada
Quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste, não...
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

sábado, novembro 04, 2006

MUDE...

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outro ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
"Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena"

- Edson Marques -

quinta-feira, novembro 02, 2006

Para você, que me ama...

Porque eu amo você também...
















Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras


O nosso amor surgiu nas entrelinhas...

Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos


E tudo o que disfarçávamos, pelos dias, transformou-se em evidência.

E eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo...


Mas você me ensinou a deixar tudo acontecer naturalmente...

Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder, sem engano


Não é preciso dizer mais nada.

Eu preciso dizer que te amo
Tanto...


Está escrito em nosso olhar.

Até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar ao seu lado


Nesses momentos, você me fez viver eternidades.

Você me chora as dores de outro amor
Se abre e acaba comigo


E haverá amor, depois de ter você?

Nessa novela, eu não quero ser o seu amigo

Somente amigo... E já é tanto... Eu quero mais. :)

Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder, sem engano


Não é preciso dizer mais nada.

Eu preciso dizer que te amo
Tanto...

Essenciais...

..
.
















"Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei, nem pergunto.
Enquanto vou na estrada antes da curva
Só olho para a estrada antes da curva
Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
De nada me serviria estar olhando para outro lado
E para aquilo que não vejo.
Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
Se há alguém para além da curva da estrada,
Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
Essa é que é a estrada para eles.
Se nós tivermos que chegar lá
Quando lá chegarmos, saberemos.
Por ora, só sabemos que lá não estamos.
Aqui há só a estrada antes da curva
E, antes da curva,
Há a estrada sem curva nenhuma."

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, novembro 01, 2006

Righ Here waiting for you...

(Bryan Adams)

Oceans apart, day after day
And I slowly go insane
I hear your voice on the line
But it doesn't stop the pain
If I see you next to never
How can we say forever?

Wherever you go, whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes or how my heart breaks
I will be right here waiting for you

I took for granted all The times
That I thought would last somehow
I hear the laughter, I taste the tears
But I can't get near you now
Oh can't you see it baby?
You've got me going crazy

Wherever you go, whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes or how my heart breaks
I will be right here waiting for you

I wonder how we can survive this romance
But in the end if I'm with you
I'll take the chance